quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Taman Shud - A Misteriosa Morte do Homem de Somerton (e atualizações)

O Caso de Taman Shud gira em torno de um misterioso homem encontrado morto no dia 1º de dezembro de 1948, às 6:30 da manhã, na praia de Somerton, cidade australiana de Adelaide. Quase 64 anos se passaram, e ninguém ficou sabendo quem era o tal homem, a polícia não descobriu de onde ele veio, qual era o seu nome, seus parentes, se tinha amigos… Nem mesmo como morreu. Nada sobre sua vida foi descoberto. A única pista que se teve foi um bilhete deixado por ele, um bilhete cujos códigos jamais foram decifrados.


John Burton Cleland, renomado patologista australiano, concluiu que o homem possuía uma aparência britânica, e que sua idade devia ser algo em torno de 40 a 45 anos. Com 1,80 m altura, olhos castanhos, cabelos escuros e pouco grisalhos, ele apresentava uma excelente condição física. Era um dia quente, mas ele foi encontrado com uma camisa branca, gravata vermelha e azul, calças, meias e sapatos. Não levava consigo nenhum documento, levantando a hipótese de suicídio.





O homem havia sido encontrado com o braço esquerdo esticado e o direito dobrado. Havia também um cigarro atrás de sua orelha, e outro cigarro já usado estava caído ao lado de seu rosto. Ele carregava consigo uma passagem de ônibus (para cidade de St. Leonards) e uma passagem de trem (da cidade de Henley Beach). Em seus bolsos também foi encontrado um pente, uma caixa de chiclete, um maço de cigarros e uma caixa de fósforos.

Testemunhas haviam visto um homem no mesmo local na noite anterior (por volta das 20h). Elas o observaram por cerca de meia hora, e tinham a impressão de que havia mudado de posição. As testemunhas chegaram a imaginar que o homem estava morto pois não reagia à presença dos mosquitos que o rodeavam, mas concluíram que ele deveria estar bêbado ou apenas dormindo, e não chegaram a se aproximar. A polícia encontrou o corpo na mesma posição relatada pelas testemunhas, mas não soube dizer se era a mesma pessoa.

o X indica o local onde o corpo foi encontrado

Uma autópsia realizada posteriormente constatou que ele havia morrido aproximadamente às 2 da manhã (já no dia 1º de dezembro). Ainda de acordo com a autópsia, o coração do homem estava sadio, mas pequenos vasos de seu cérebro estavam muito congestionados. Ainda havia congestão na faringe, e uma úlcera em sua garganta. Seus rins e estômago estavam também muito congestionados, o último com comida e sangue. Seu baço ainda estava 3 vezes maior que o normal.

Uma torta havia sido ingerida pelo homem aproximadamente 3 horas e meia antes de sua morte. Especialistas garantiram que a morte não foi natural, mas não havia veneno na comida. 

                                                Reviravolta no caso

O caso sofreu uma reviravolta quando, em 14 de janeiro de 1949, funcionários da Estação Ferroviária de Adelaide descobriram uma mala marrom com a etiqueta removida, que havia sido colocada no guarda-volumes da estação por volta das 11:00 da manhã de 30 de novembro de 1948.
Os detetives Dave Bartlett, Lionel Leane e Len Brown (da esquerda para a direita) apresentam a mala e seu conteúdo, janeiro de 1949.

Em seu interior estavam um roupão vermelho listrado, um par de chinelos de feltro vermelho tamanho sete, quatro pares de cuecas, pijamas, utensílios de barbear, um par de calças marrom claro com areia nas barras, uma chave de fenda de eletricista, um pincel de estêncil, uma faca de mesa que fora reduzida a um instrumento de corte curto e afiado, e um par de tesouras como as usadas em navios mercantes para demarcar as mercadorias embarcadas.


Todas as marcas de identificação nas peças de roupa haviam sido removidas, mas a polícia encontrou o nome "T. Keane" em uma gravata, "Keane" em um saco de lavanderia e "Kean" (sem o último "e") em uma camiseta. Os investigadores chegaram à conclusão de que a pessoa que removeu as etiquetas deixara propositalmente o nome Keane nas roupas, como se quisesse mandar alguma mensagem que foi praticamente impossível decifrar.
 
gravata encontrada na mala
 O único item da mala que pôde ser aproveitado foi um casaco que apresentava uma nesga frontal e um desenho bordado. Determinou-se que ambos poderiam ter sido feitos apenas nos Estados Unidos, que era o único país com o maquinário moderno necessário para tais tipos de costura na época, porém a empresa americana que fazia aquele tipo de trabalho na época disse que o bordado só era feito com a presença do cliente e eles não tinham cadastro de nenhum cliente de outro país. Infelizmente, a mala provou ser um beco sem saída.

O fracasso em desvendar a identidade e o que levou à morte do homem levou as autoridades a definirem aquele como um "mistério sem paralelos" e acreditarem que a causa da morte jamais seja determinada.

Um editorial de época chamou o caso de "um dos mistérios mais profundos da Austrália", observando que, se o homem morreu por consequência de envenenamento, o agente usado para causar a sua morte era algo raro e obscuro, tanto que não pôde ser identificado por especialistas em toxicologia, então o conhecimento avançado em substâncias tóxicas do autor do crime apontava certamente para algo muito mais sério do que um mero envenenamento doméstico.


O estranho bilhete "Taman shud"


Os meses se passaram até junho de 1949, quando os investigadores fizeram uma nova investigação no corpo e em pertences do misterioso homem. Durante o curso dessas novas investigações foi descoberto um bolso secreto na roupa do homem. Nesse bolso foi encontrado um pedaço de papel com as palavras "Taman shud" impressa sobre ele. 

Oficiais da biblioteca pública foram convocados para traduzir a nota, identificando-a como uma frase, que significava "fim" ou "terminado'. Após uma inspeção mais próxima do papel, foi descoberto que era a página de uma coleção de poemas intitulado "O Rubaiyat" de Omar Khayyam.

Essa descoberta levou a uma busca envolvendo toda a mídia em uma tentativa de encontrar o livro ao qual aquela página foi arrancada. Enviaram copias do pedaço de papel ao mundo todo e não foi avisado do que se tratava. A campanha foi bem sucedida e um homem apareceu com uma cópia de uma edição rara de Edward Fitzgerald que era uma tradução de "O Rubaiyat". Segundo esse homem o livro apareceu no banco de trás do seu carro em uma vez que ele havia deixado o veículo destrancado. Tal incidente aconteceu na noite anterior a morte do misterioso homem encontrado na praia australiana.

Após exames de microscopia, foi confirmado que era o mesmo livro de onde a pagina havia sido arrancada. Na parte de trás do livro havia rabiscos a lápis, um tipo de código estranho. Também estava escrito no livro o número de telefone de uma ex-enfermeira que, ao servir na II Guerra Mundial, deu uma cópia de O Rubaiyat a um oficial do exército chamado Alfred Boxall. A polícia acreditou que o morto fosse Boxall, até encontrá-lo vivo e com sua cópia do Rubaiyat completamente intacta.


No verso da página, havia anotações distribuídas em 5 linhas. A segunda linha estava riscada, e muitos acreditam que o bilhete seja uma espécie de código.

No entanto, o código nunca foi decifrado, nem mesmo por especialistas em criptografia.

Após o inquérito, foi feito um molde em gesso da cabeça e ombros do homem para possíveis identificações posteriores, e ele foi então sepultado pelo Exército de Salvação, para não ser enterrado como indigente.

Anos depois do enterro, algo muito estranho foi notado, flores começaram a ser depositadas sobre o túmulo. A polícia investigou, porém não descobriu quem estava depositando as flores.



Aqui jaz o homem desconhecido que foi encontrado na praia de Somerton em 1° de dezembro de 1948

Revelações sobre o caso

Alguns anos após essa morte misteriosa, uma mulher chamada Kate Thomson alegou em um programa de TV (60 segundos) que sua mãe poderia conhecer o homem e Somerton, e mais, ela poderia ser a suposta assassina dele.

Segundo Kate Thomson, sua mãe, a enfermeira Jessica Thomson (que viveu em St de Moseley, a poucos metros de onde foi encontrado o corpo do homem no ano de 1948) era uma espiã soviética, que pode ter tido participação no assassinato do homem de Somerton, que segundo ela poderia ter sido um agente russo. Acredita-se que Jessica e o misterioso homem foram amantes.

Kate Thomson

"Ela tinha um lado sombrio, um lado negro muito forte."

"Ela disse-me que sabia quem ele era, mas ela não ia expor essa informação, por assim dizer. Sempre tive medo de que talvez ela fosse responsável pela morte dele."

Muitas das suposições feitas a respeito do tal homem giravam em torno da ideia de que ele pudesse ser um espião. Fotografias mostrando sua face correram o mundo, mas se ele fosse um agente trabalhando secretamente em uma época do pós-segunda guerra mundial, não seria de se espantar que a identificação nunca chegou a acontecer, pois sabe-se que esses agente muitas vezes ocultavam suas identidades a fim de proteger a missão e os interesses do seu país.

Jessica chegou a ser procurada pela polícia. Sete meses após o corpo do homem ter sido encontrado, a polícia chegou a ligar sua morte com Jessica Thomson, mas ela negou qualquer conhecimento quando interrogada pela polícia. Kate diz que sua mãe mentiu.

Muitos mistérios estão ligados a morte do tal homem, como por exemplo: a sua identidade nunca foi revelada, o motivo pelo qual estava na Austrália naquela época, os estranhos itens em seus bolsos, sua misteriosa mala, a causa da sua morte, etc...

Acredita-se que o homem de Somerton tenha sido vítima de envenenamento, mas durante a necropsia não foram encontrados traços de veneno, o que levou muita gente a acreditar que tal veneno poderia ser um artefato de uso muito restrito, como espiões por exemplo.

Outro mistério era o pedaço de papel com as palavras "Taman shud" impressa sobre ele. Esse pedaço de papel havia sido retirado de uma coleção de poemas intitulado "O Rubaiyat" de Omar Khayyam. O livro do qual essa parte pedaço de papel havia sido removido apareceu no banco traseiro de um carro de um homem na noite anterior a morte do homem de Somerton. No livro havia um número de telefone de uma ex-enfermeira da Segunda Guerra Mundial.

Segundo Kate, esse era um número não registrado de sua mãe. Mas na época em que a policia investigava a morte do misterioso homem, os investigadores conseguiram ligar essa ex-enfermeira, cujo número se encontrava no livro, a um oficial do exército chamado Alfred Boxall.


Jessica Thomson teve um outro filho, já falecido, cujo nome era Robin. Roma Egan, esposa de Robin, acredita que ele pode ter sido filho de Jessica e do homem de Somerton. Ela e sua filha, Rachel, estão tentando provar que Robin era o filho homem de Somerton.

Rachel e Roma


Elas contam com o apoio de um físico da Universidade de Adelaide que é uma das pessoas que mais bem informadas sobre o caso Taman Shud, Professor Derek Abbott. 

Eles tentam obter autorização para realizar uma exumação no corpo do homem de Somerton sepultado no West Terrace Cemetery, e tentar comprovar, via amostras de DNA, que ele era o pai de Robin. Isso poderia validar as histórias de Kate a respeito do envolvimento de sua mãe com o misterioso homem.

"Confrontar a verdade pode não ser agradável, mas eu prefiro descobrir a verdade," Rachel diz ao programa 60 minutos.  "O homem de Somerton é potencialmente meu avô. Então, isso para mim é muito importante."

Em 2011 o pedido de exumação havia sido negado sob a alegação de que é preciso haver "razões de interesse público que vão muito além da curiosidade pública ou de interesse científico amplo".

Prof Abbott apresentou um novo pedido com Procurador-Geral John Rau para a realização da exumação em 2013. Até agora nenhuma informação a respeito da realização ou da negação dessa exumação foi encontrada.


Programa 60 segundos

Abaixo está a matéria feita pelo programa 60 segundos, a respeito desse misterioso caso.

OBS: O vídeo está em inglês!




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